terça-feira, 4 de setembro de 2012

Easy, girl!!


Não acredita em destino? Meu namorado conheci na faculdade, mas descobri que percorria os corredores da mesma escola de ensino médio, na mesma época que eu, sem que nunca o tivesse notado. Minha melhor amiga conquistou esse título no colégio, no (antigo) ginásio, mas havia dividido a sala do curso de inglês comigo anos antes.

Uma coleguinha do C.A. tornou-se uma das grandes amigas após anos sem vê-la. No primeiro período de faculdade fiz uma entrevista para uma empresa de clipping. Era crua, sem nenhuma experiência. Não passei. Quando terminei o curso, recém-formada, outra vaga surgiu naquele mesmo lugar. Passei. Mas não para o clipping. Meu currículo com estágios já era bom o bastante para assumir o primeiro posto de repórter na agência de notícias que funcionava no mesmo local.


Não sei como o universo trabalha, mas, definitivamente, se é para ser será.. hoje ou amanhã; ou daqui a muitos amanhãs. Ansiedade é o mal do século. É o meu mal. Mas, por acaso, esses acasos passaram hoje pela minha cabeça e me senti mais calma. Esperar não é fácil; aceitar não é fácil; superar não é fácil. Mas o que te espera no futuro vale à pena. Mais que isso, justifica toda a espera.

Amanhã será melhor!!

Amém.

..

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Memórias


Desde os tempos da escola me pergunto de onde viriam minha aptidão e meu gosto pelas letras. De esforço não vieram, porque nunca gastei muito tempo debruçada em livros de gramática. Passo a frase na cabeça e o que me soa melhor tomo como certo. Diria que em 98% das vezes realmente está certo. Um dom? Talvez.. Resultado de uma personalidade observadora? Talvez.. Fruto de experiências em outras vidas? Por que não?

Nunca pensei, entretanto, em genética. Algo que pudesse vir de gerações anteriores. Não pensei porque meus pais, avós e bisavós, apesar de inteligentes e educados, não são das letras. Ou são ativos e práticos demais para usar seu tempo com livros e jornais; ou só se interessam por temas muito específicos e param por aí. Tenho uma prima de segundo grau jornalista – muito boa, por sinal. Mas sempre tive a sensação de que, se para ela fosse genética, provavelmente viria do pai. 

Eis que recentemente descubro parentesco com Humberto de Campos* – jornalista e escritor -, por meio de minha trisavó Olívia Campos Gredilha, avó de meu avô paterno, Jorge. Ainda não posso afirmar 100% de certeza nessa conexão. O que tenho até agora são depoimentos: “Humberto de Campos é seu primo em um grau distante”, dizem. Curiosidade e uma pontinha de orgulho – características que me aproximam desse primo – me impulsionaram a ler em um dia sua biografia Memórias e Memórias Inacabadas.

A leitura me mostrou um sujeito controverso, ambicioso e corajoso; mostrou seus preconceitos e, abertamente, sua preferência pela família do pai, os Veras. Os Campos, nas palavras dele, nadavam na corrente gelada da má sorte. Não discordo totalmente da opinião dele sobre a família. São – e aí também me incluo – pessoas introspectivas e carentes de segurança, beirando muitas vezes à tristeza. Mas, ao contrário de Humberto, enxergo aí elementos indispensáveis a um bom escritor. Tristeza nem sempre atrapalha, meu caro primo.

Não sei se um dia chegarei à notoriedade que aquele escritor conquistou a duras penas por algum tempo. Mas sei que, se o fizer, será pelo prazer de mostrar quem realmente sou por baixo de tanta esquisitice, ou quem gostaria de ter sido; e não apenas para deixar uma obra para a posteridade. Não almejo ser lembrada por muitos... apenas pelos meus.

*Humberto de Campos (H. de C. Veras), jornalista, político, crítico, cronista, contista, poeta, biógrafo e memorialista, nasceu em Miritiba, hoje Humberto de Campos, MA, em 25 de outubro de 1886, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de dezembro de 1934. Eleito em 30 de outubro de 1919 para a Cadeira n. 20, sucedendo a Emílio de Menezes, foi recebido em 8 de maio de 1920, pelo acadêmico Luís Murat.
Foram seus pais Joaquim Gomes de Faria Veras, pequeno comerciante, e Ana de Campos Veras. Perdendo o pai aos seis anos, Humberto de Campos deixou a cidade natal e foi levado para São Luís. Dali, aos 17 anos, passou a residir no Pará, onde conseguiu um lugar de colaborador e redator na Folha do Norte e, pouco depois, na Província do Pará. Em 1910 publicou seu primeiro livro, a coletânea de versos intitulada Poeira, primeira série. Em 1912 transferiu-se para o Rio.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sometimes it hurts instead

Ouvi dizer que amar dói. Ouvi dizer que amor até mata. É ser feliz angustiado, é buscar uma certeza que ninguém nunca terá; é desejar um ever after que não vai durar mais que momentos; é se agarrar a um porto que de seguro não terá nada, e fazer dele uma necessidade vital. É dramático porque é forte; e é forte porque é o que move as pessoas mais diferenciadas. Não é todo mundo que AMA, não senhor. E, ainda que doa, essa capacidade é uma dádiva.

Mulheres inteligentes, interessantes e surpreendentes, que possuem uma consistência bárbara, charme natural, mas que não são necessariamente fortes (ninguém pode ter tudo). Este tipo, que é capaz de dar o que for a quem ama, que pode tornar dias e noites inesquecíveis, que para bem ou para mal nunca permitirá o tédio, que tem feeling aguçado tanto quanto orgulho próprio; é este tipo de pessoa que sofre mais.

Mas sofrer é tão abstrato quanto amar, e tão proveitoso quanto também. Foi quase sempre dessa soma dilacerante que surgiram os melhores poemas, as melhores músicas, os melhores filmes. De pessoas com essa capacidade de sentimento nasceram os clássicos mais saborosos, que nos fazem suspirar e almejar algo mais do que somente alguém do lado.

Se relacionamento pra você é fácil, um caminho reto, então sai fora porque esse texto é só para quem já amou. Não é qualquer Zé Ruela limitado que pode ter opinião sobre isso (provavelmente nem quer). Perdeu seu tempo. Mas se, pelo contrário, você compartilha da ideia de que nada fácil demais tem graça e valoriza os esforços por um relacionamento completo, amplo, elevado; então não desista.

Alguém um dia vai perceber a sorte que teve por encontrar uma em um milhão, e ser feliz por te fazer feliz; vai rir das tuas tiradas sarcasticas e agradecer aos céus por ter encontrado uma peça das mais raras. Ele vai achar seu drama um charme e terá pena dos amigos porque nunca terão alguém como você.


"Don't forget me, I beg, I remember you said

Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead"

(Adele)



The man said "why do you think you're here?"

I said "I got no idea.

I'm gonna, I'm gonna lose my baby,

So I always keep a bottle near."

(Amy Winehouse)


**Duas mulheres lindas e talentosas que sofreram porque amaram.

Azar de quem as teve e perdeu.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Cafezinho com a Bia



Falar de futebol, no meu caso, é correr o risco de perder alguns amigos. Mas, se eles secretamente me derem algum crédito, não ligo de perdê-los. Já ouvi mais de uma vez o seguinte comentário: “A coisa que mais odeio no mundo é mulher que acha que entende de futebol e se mete a comentar.” Ok. É fato que perto das grandes finais a quantidade de mulher que aparece repentinamente ‘louca’ pelo seu time, e pronta a defendê-lo sem argumentos, é gigante (e engraçada). Mas, por outro lado, (agora vão me matar) não há de tão complexo que qualquer mulher inteligente não possa conhecer, e entender, de um dia para o outro. Difícil é que ELES reconheçam isso.

Acho futebol nada mais que uma enorme bobeira lucrativa. Não ignoro o poder de fascínio que tem sobre garotos desde pequenos. Alguns aprendem primeiro a chutar e só depois a falar. Mas não deixa de ser um grande besteirol. Exemplo: seu time não vence o brasileirão há anos e então este ano ganha. Nos dois dias seguintes você vai gritar, ficar rouco, encher a cara, correr pelado, sacanear os amigos de outros times, etc.. Ok. E depois? Nas discussões de bar você vai jogar esse título na mesa e seu amigo vai jogar outros três do time dele. Que diferença faz? Venci este ano. E daí?! Me diz o que mudou na sua vida!!!

Não me entenda mal, gosto de futebol, adoro meu time, também torço e grito. Mas defendo que seja um entretenimento comum, como ir ao cinema ou gostar de uma série de TV. Dedicar uma vida a isso só é válido para quem se sustenta com isso. E mesmo assim há exceções. Vemos aí a brilhante estrela anã do Barcelona, Messi. Passou metade da vida no clube, desde criança. Transformado num robô, uma máquina destinada a vencer. Deu certo para o clube, para o bolso dele e para a história. Mas a que preço? Longe da família, se virando sozinho desde muito cedo, treinando, treinando e treinando longe do seu país, das suas origens.

Muita gente certamente discorda de mim, mas, me desculpe, eu não entregaria meu filho com 12 anos para passar a vida inteira fazendo a mesmíssima coisa, focado, tenso, pressionado, e tudo isso longe da família.

Messi é melhor que Neymar? Sim, infelizmente sim. Mas me atrevo a dizer que um é muito mais alegre que outro. E não é só uma questão de personalidade. Neymar está em casa, está se divertindo com suas presepagens, está sempre rindo e jogando leve. Ídolo, assim como Messi, mas sem ter ficado isolado, sem cara amarrada, timidez e bloqueio. Neymar tem menos de 20 anos. É claro que precisa concentrar na carreira, mas sem evitar a própria vida para isso. Eu aposto que ele chega lá. Com fanfarrice e tudo.. no tempo dele. Messi já chegou. “E agora????”, ele deve pensar.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Metromisoginia vaidosa


Se é verdade, me pergunto o que falta para acontecer. Falta coragem, eu diria. Pode ser que vontade também, mas essencialmente coragem. Me pergunto mais: onde estão os homens destemidos e apaixonados (num sentido mais amplo), que sentiriam orgulho em dar a vida pela mulher amada? Onde estão aqueles com doçura nos olhos e sangue quente nas veias? Eu digo onde estão. Estão séculos antes do seu nascimento.

Se esse é o tempo da tolerância, quero ser intolerante. Se hei de aceitar o básico por ser menos pior que essa invasão metrossexual (fresca mesmo) que nos esfregam na cara todos os dias, então prefiro não ter nada. Ser a tia dos gatos me parece, hoje em dia, uma alternativa deveras apropriada perto dessa infinidade de 'garotos' interessados apenas em si mesmos.

Sim, eles são capazes de aprender o que uma mulher quer ouvir, a hora que devem ligar, o tipo de mensagem que devem mandar - alguns com grande talento inclusive -, mas esquecem que atitudes desmentem em menos tempo do que se gasta para mentir. Não acho que fazem por mal. É só pressa. É a pressa de agradar a fêmea, mantê-la nas rédeas, para voltar ao mundinho preferido: 'amigos+cerveja+futebol+espelho'*.

Se esse texto parece radical, então termino de um jeito que os agrade. Invejo os homens, aprendo com eles, e um dia terei prazer em pôr em prática esse desprendimento. Erradas são as mulheres, que continuam fazendo deles prioridade**.

*Há exceções
**Há exceções

domingo, 25 de abril de 2010

Flerte com a verdade

Todos deveriam esconder coisas; ter bom senso para dizer o que têm de relevante apenas. Isso permitiria mentir menos para os outros e para si mesmos. Parece contraditório? Eu explico. Haveria comportamento mais odioso do que disparar fatos e histórias mirabolantes (e montadas) a fim de conquistar o interesse alheio? Ou mesmo numa tentativa ilusória de fazer o outro sentir-se melhor após uma negativa?

Não sou regra, mas, neste caso, prefiro o silêncio (e não raramente sou criticada por isso). É dele que nascem as frases mais incisivas e extraordinárias, com muito mais chances de tornarem-se inesquecíveis. Ou, em segundo caso, uma verdade bem dita: não vou sair hoje porque não estou a fim. E ponto. Desculpinhas servem para que, se no fim dá tudo no mesmo?!

Discursos a esmo, ensaiados, óbvios, politicamente corretos, não me interessam. Me dê um olhar diferente, me dê um sorriso expressivo, ou me faça um comentário objetivo! É tão chato ler as pessoas de cara. Me dê mistério! Seja original a ponto de desfazer de mim, caso lhe ocorra. Quanto desdém já não terá sido capaz de apaixonar almas aparentemente incompatíveis?

Postura, originalidade, inteligência, opinião e desdém. Inicialmente, para conquistar atenção e respeito, não há fórmula mais eficaz. Para, além de manter atenção e respeito, alcançar o encantamento, adicione doses variadas e constantes de saracasmo e bom humor. Mas, mais do que exercitar a ironia, é preciso saber identificar a ironia. Isso, entretanto, é um talento. E quem não o tem dificilmente o terá.

O amor (e falo daquele que nunca há de enjoar ou cair num poço de tédio), por sua vez, será despertado naturalmente assim que o desdém for substituído por carinho; e todas as outras características forem reforçadas pelo tempo.

"Os homens ou são cheios de arrogância ou de estupidez. Se são amáveis, não têm opinião própria, são facilmente persuadidos", Elizabeth Bennet - Orgulho e Preconceito (Jane Austen)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O melhor amigo

Ele não era dos mais corajosos. Tinha medo de altura, de fogos, de jornal.. Quando pequeno adorava arrumar confusão com os maiores na rua; mas se ameaçado, corria. Na verdade nem gostava muito de sair, preferia ficar em casa, confortável, com sombra e água fresca. Era um garoto esperto.

Ele não precisava ser valente. Ele era todo o resto. Tudo o que alguém pode querer de um amigo.

Ele conhecia todos os meus amigos, todos os ex-namorados, todas as minhas fases, todos os meus segredos. Ele aturou meu mau-humor, minha adolescência, minhas maluquices, minhas danças forçadas (sim, ele dançava).

Ele gostava que coçasse atrás da orelha e de carinho na barriga; ele não comia qualquer comida, era exigente; desde pequeno só gostou de um boneco, um baby da família dinossauro (que aliás durou bastante). Ele era encantador.

No primeiro revéillon que passou em casa, passei com ele. Só eu e ele. Todos na rua vendo os fogos (lembra? ele tinha medo) e eu dizendo que estava tudo bem, que estávamos juntos. Virei aquele ano sem ver nada, nem ninguém, mas feliz. De alguma forma eu sabia que dali em diante ele faria muito mais por mim do que eu jamais poderia fazer por ele.

Para uma menina de nove anos, filha única, tímida e às vezes sensível demais, aquele amigo seria muito mais que companhia, seria uma fonte infinita de carinho e de sorrisos. Ele estava sempre feliz quando eu chegava e ficava triste quando eu saía. Os olhos diziam uma coisa e outra. Ele me ouvia e me acompanhava, me consolou todas as vezes que chorei. Meu amigo só faltava falar.

Ele tinha 16 anos. Muito, para muita gente. Para mim, não o bastante.

Meu amigo não está mais aqui.

E quem vai me consolar?

Mas sei que leva com ele a nossa história, assim como guardo para mim. E sei que não vou mais poder dizer que o amo todos os dias antes de trabalhar, mas vou dizer todas as vezes que lembrar dele.

Tofinho, eu te amo, preto!