quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Pseudobesteirol

"Não pode dar ouvidos a qualquer idiota"
"Ele não é um idiota. É o ganhador do prêmio nacional de melhor livro do ano"
"Então vingue-se da melhor forma. Escreva uma letra de sucesso"
"Francamente, não acho que uma canção POP vá impressioná-lo"
"Ah, claro que não. Música POP é para imbecis. Eu esqueci..."
"Não quis ofender"
"...para retardados mentais ou drogados. Quer saber o que eu diria para você e o Sr. escritor? Podem pegar todos os romances do mundo que nenhum dará prazer maior e mais instantâneo do que ouvir: 'I got sunshine, on a cloudy day. When it's cold outside, I got the month of May'. Isso é poesia. Esses são os verdadeiros poetas"


O motivo para transcrever o diálogo entre Drew Barrymore e Hugh Grant no filme Letra e Música é simples: concordo com ele. Simples, aliás, é a palavra-chave deste post. Não digo que histórias complexas não tenham seu encanto e importância indiscutíveis. Mas duvido que você recorra a Freud quando está chateado ou decepcionado por algum problema; ou mesmo quando bastariam umas risadas para deixar o dia mais leve.

Eu recorro ao besteirol - que aqui só classifico assim para que o gênero seja facilmente reconhecido - e não me sinto menos inteligente por isso. São os filmes e músicas considerados "água com açúcar" que amenizam o sofrimento; que provocam risadas num momento que combinaria mais com lágrimas; que ajudam a enxergar que as mazelas talvez não sejam tão assustadoras assim; e que trazem esperança na busca por seu próprio final feliz.

Ok, não acredito nesse lance de final feliz. Mas acredito nas voltas que a vida dá (clichê em homenagem ao simples) e nas grandes surpresas que surgem delas. E quer mais incentivo para reviravoltas que histórias - e aí incluo livros também - que façam sorrir, que façam sonhar?

O fato é que tem sempre aquele pseudo-intelectual que leva tudo a sério demais para admitir, ou mesmo conhecer, o fabuloso "água com açúcar". Essa figura limitada - e geralmente bem insegura - torce o nariz para qualquer coisa que não seja considerada incrivelmente cult. Ôh gente mala! É o medo de ser mal visto; de parecer menos interessante; e de ser julgado, que o faz - veja só! - julgar. Porque a pessoa que realmente não gosta se contenta em dizer isso; não emenda em caras feias e críticas sem fim (nem fundamento).

Ah, tem também o quesito 'antiguidade'. Ninguém tem o direito de gostar mais de um artista com cinco anos de carreira do que de um que morreu há décadas. Blasfêmia. É obrigação admirar uma lista de artistas do início do século passado se não quiser carregar o rótulo de alienado. Conhecer é sempre válido, gostar e tomar como ídolo é opção. Aí é que entra a tolerância.

Não pense que exagero, já presenciei discussões fervorosas nessa linha. Fora incontáveis comentários preconceituosos, sarcásticos e carregados de ignorância voluntária. Tudo tão forçado, tão mascarado. Um monte de gente que estuda para ser cult, sem sequer questionar se realmente gosta daquilo. Todos os indivíduos têm livre-arbítrio, podem ser o que bem entenderem, inclusive tudo ao mesmo tempo. Por que limitar?



"If it makes you happy, it can´t be that bad!"


Um comentário:

Drika disse...

Amiga como é bom gostar de filmes "Água com açucar"...principalmente qdo vemos o msm filme pela décima vez e ainda nos apaixonamos pelo galã!!!!AMOOOO!!